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Paisagens turísticas do Sertão de Pernambuco
Claudia Neu
Geógrafa,
Pós-Graduada em Gestão Ambiental, consultora em Gestão e Ambiental e
Turismo.
O Estado de Pernambuco possui uma superfície de 98.938 Km2, onde
distribui-se uma população de 7.399.131 habitantes. Devido à configuração
geográfica e o processo de povoamento, o Estado possui cinco mesorregiões:
Sertão Pernambucano, São Francisco Pernambucano, Agreste Pernambucano,
Mata Pernambucana e Metropolitana do Recife, que englobam 19 microrregiões
geográficas. Cada microrregião é formada por municípios, havendo no Estado
um total de 184, somando-se a estes a unidade administrativa de Fernando
de Noronha. A Mesorregião do Sertão Pernambucano apresenta as
microrregiões geográficas de Araripina, Salgueiro, Pajeú e Sertão do
Moxotó.
Na Microrregião do Pajeú estão localizados importantes centros urbanos do
Estado, como Serra Talhada, Triunfo, Afogados de Ingazeira, São José do
Egito e Tabira.
A região do Sertão Pernambucano possui grande potencial histórico,
cultural e natural. O povoamento deu-se para o interior, através de
fazendeiros baianos e pernambucanos devido às necessidades da criação de
gado bovino que concorria com a cana-de-açúcar no litoral, pois as
condições climáticas não permitiam a expansão da cultura da cana para o
interior.
O ?Ciclo do Gado? no Sertão tem papel preponderante na formação cultural
da região, as vestimentas de couro e muitos utensílios fazem parte da vida
do homem sertanejo, e estão presentes até hoje. Os hábitos e costumes são
passados de pais para filhos, de geração em geração, através dos tempos,
caracterizando no sertanejo a culinária, festas, folguedos, cantos,
cantigas e expressões bem marcantes.
A natureza da região tem como suporte físico o Planalto da Borborema, um
conjunto de maciços rochosos que se estende desde o Estado de Alagoas ao
Estado do Rio Grande do Norte, na porção oriental do Nordeste brasileiro.
Em Pernambuco, as altitudes da Borborema variam entre 500 e 800 metros,
destacando-se nessa superfície os municípios de Gravatá, Caruaru e
Garanhuns.
Na Borborema e na superfície plana do Sertão Pernambucano, destacam-se os
Maciços Residuais, representando formações mais elevadas do relevo,
desenvolvidos em rochas mais resistentes à erosão. Esses maciços são
denominados Brejos de Altitude, sendo citados como exemplos Taquaritinga
do Norte, Buíque, Triunfo e Serra Talhada. A Depressão Sertaneja é o
domínio do clima semi-árido, rios temporários e vegetação xerófita,
caracterizando-se por apresentar superfície plana e formas residuais de
relevo, como inselbergues, matacões, cristas, boqueirões e lajedos.
Segundo a classificação climática de W. Köppen o clima semi-árido do
Sertão Pernambucano é do tipo BShw? (BSh = clima seco de estepes de baixas
latitudes; w? = com chuvas de verão retardadas para o outono). Os solos da
região são classificados como latossolos (solos profundos e bem
desenvolvidos), brunos não cálcicos (solos escuros e pedregosos),
litólicos (solos rasos e pedregosos), vertissolos (argilosos) e regossolos
(arenosos).
O período de estiagem prolongada durante o ano e a alta evaporação na
região faz com que os rios em sua maioria sejam intermitentes.Os rios
possuem leitos largos e muito arenosos, sendo cada vez mais freqüente a
construção de barragens subterrâneas.
Combinados os fatores naturais como o relevo, clima, solos e a hidrologia
obtém-se as seguintes formações vegetais: caatinga hiperxerófila, formada
por árvores e arbustos que, em sua maioria, perdem as folhas durante a
estação seca, como a jurema, macambira, marmeleiro, mulungu, umbuzeiro e
mandacaru; e a caatinga hipoxerófila (formada por arbustos na maioria de
sua extensão e é encontrada em áreas mais secas da caatinga, tendo como
exemplo a coroa-de-frade, macambira, angico, caroá, pereiro e xique-xique.
A partir desses compartimentos da paisagem, pode-se enumerar os lugares
turísticos e potencialmente turísticos neles encontrados.
No município de Venturosa existe o ?Parque da Pedra Furada?, onde há
inscrições rupestres, inúmeros blocos de pedras espalhadas em seu entorno,
e está inserido pela EMBRATUR no Pólo Buíque / Pesqueira / Venturosa de
Ecoturismo.
No conjunto dos municípios de Buíque / Tupanantinga / Inajá / Ibimirim,
que compõem o Vale do Catimbau será implantado o Parque Nacional Vale do
Catimbau, que é o 2º maior sítio arqueológico do Brasil, sendo encontradas
cavernas, canyons e diversas espécies faunísticas e florísticas do agreste
e sertão pernambucanos.
Outro município turístico de destaque na região sertaneja é Triunfo, com
sua arquitetura colonial e muitos engenhos que produzem rapaduras e que
são distribuídas para todo o Brasil. Além do clima ameno, em Triunfo são
também encontrados o Museu do Cangaço, grupos de apresentações
parafolclóricas, a Gruta D?água, cachoeiras, furnas e o Pico do Papagaio,
ponto mais alto do Estado.
No ano de 1838 o fanatismo sebastianista teve seu ápice, com sacrifícios
humanos executados do alto de pontões escarpados, na chamada Pedra do
Reino, em São José do Belmonte. O fato é lembrado todos os anos, no último
domingo de maio, quando uma grande cavalgada parte da cidade para a Pedra
do Reino, atraindo visitantes de várias regiões e estados do Nordeste.
Os municípios do estado de Pernambuco devem ser integrados através de
rotas e circuitos turísticos, permitindo redução dos custos e distâncias,
evitando a concentração de recursos que permeia a política de criação de
pólos.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
Atlas Escolar de Pernambuco (coord. Andrade, M. C.). João Pessoa: GRAFSET,
1999.
SOUZA, H. M. e DINIZ, M. J. Triunfo Pólo Turístico. Monografia de
Especialização. Serra Talhada: FFPP ? FFPST / UPE, 1999.
Turismo Ecológico. Vale do Catimbau será transformado em Parque Nacional.
Jornal de Pernambuco. Recife: CEPE, 2002. |