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Entre
Mundos

Esse vento
que do mar salta e campeia
em corrida
se aconchega em minha alma,
me mageia como areia em sua
praia,
e me perfuma
me pedindo que não saia.
Não sabe
que nasci lá n o poente,
que sou filho do sertão,
de terra alheia,
que de sol fui feito levemente
serenado de luz na lua cheia.
Me embala o vento desta terra,
me exala o seu cheiro de nascente,
os fulgores de seu sol
me enternecem,
e em minha prece
de saudades me esperneio.
São as saudades
do sertão, de minha origem,
são as verdades
que meus olhos lá vagueiam,
são parecidas
entre si essas areias,
não sendo o mesmo
o sangue dessas veias.
Liberta, oh mar,
esta minh`alma,
recolhe o vento que me assola,
mandai o sol guiar-me em frente,
deixai esse vivente ir-se embora.
Marco di Aurélio é poeta e cordelista pernambucano, nascido no sertão de
Bodocó e criado mundo. Membro da Academia Paraibana de Poesia, editou
vários cordéis e livros. Entre outras obras publicadas, é autor do livro
Bom-Caso, que trata da vida cotidiana sertaneja. |