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Aboio, o canto do vaqueiro

O aboio típico no Nordeste do Brasil é um canto sem palavras, entoado
pelos vaqueiros quando conduzem o gado para os currais ou no trabalho de
guiar a boiada para a pastagem.
É um canto ou toada um tanto dolente, uma melodia lenta, bem adaptada ao
andar vagaroso dos animais, finalizado sempre por uma frase de incitamento
à boiada: ei boi! boi surubim!, ei lá, boizinho!
Esteja atrás (no coice) ou adiante da boiada (na guia) o vaqueiro
sugestiona o gado que segue, tranqüilo, ouvindo o canto.
No sertão do Brasil é sempre um canto individual, entoado livremente, sem
letras, frases ou versos a não ser o incitamento final que é falado e não
cantado. Os que se destacam na sua execução são apontados como bons no
aboio.
Existe também o aboio cantado ou aboio em versos que são poemas de temas
agropastoris, de origem moura e que chegou ao Brasil, possivelmente,
através dos escravos mouros da ilha da Madeira, em Portugal, país onde
existe esse tipo de aboio.
Segundo Luís da Câmara Cascudo, o vocábulo aboio é de origem brasileira,
sendo levado para Portugal, uma vez que lá aboio significava pôr uma bóia
em alguma coisa.
O aboio não é divertimento é uma coisa séria, muito antiga e respeitada
pelo homem do sertão.
Pode aboiar-se no mato, para orientar os companheiros dispersos durante as
pegas de gado, sentado na porteira do curral olhando o gado entrar e
guiando a boiada nas estradas. Serve para o gado solto no campo, assim
como para o gado curraleiro e até para as vacas de leite, mas em menor
escala, porque nesse caso não é executado por um vaqueiro que se preze e
tenha vergonha nas ventas.
O escritor José de Alencar, no seu livro O sertanejo, diz do ritual do
aboio: Não se distinguem palavras na canção do boiadeiro; nem ele as
articula, pois fala do seu gado, com essa linguagem do coração que
enternece os animais e os cativa.
Fontes consultadas:
CÂMARA CASCUDO, Luís da. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de
Janeiro: Edições de Ouro, [s.d.].
NICÉAS, Alcides. Aboio: um ritual agreste. Recife: FJN. Inpso. Centro de
Estudos Folclóricos, 1979. (Folclore, n.93)
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