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São
José é esperança das águas de março

Nos municípios sertanejos mais castigados pela estiagem, as famílias
sertanejas se reúnem em atos de devoção ao santo da chuva no dia de São
José, 19 de março. Religiosamente, todos os anos, a data é dedicada ao
santo, faça chuva ou faça sol. O mês de março é a época do ano em que
agricultores ficam apreensivos porque imaginam que esse dia será decisivo
para determinar como serão os próximos doze meses: se vai chover para ele
plantar e colher ou se vai ser um ano seco.Os sábios do sertão estão
apostando na chuva.
O culto do sertanejo a São José faz parte de toda uma relação que o homem
tem com a natureza. Existem também outras associações da vida diária do
sertanejo que fazem parte do chamado realismo fantástico, ou surrealismo.
De tão extraordinário que é o sexto sentido do sertanejo, as práticas
simbólicas de representação de sua vivência no dia-a-dia despertam a
inspiração de poetas, escritores e cronistas. Embora o saber popular não
seja aceito pela ciência, muitas vezes ele tema mais serventia. Para o
sertanejo, o conhecimento prático é que é verdadeiro. Ele faz a leitura do
universo, a partir do conhecimento cotidiano sem precisar utilizar as
bases fundamentais da ciência.
Tal como os meteorologistas que fazem suas previsões através da leitura
das condições atmosféricas, da temperatura da superfície dos oceanos,
ventos e outros fenômenos naturais, o sertanejo dispõe de métodos próprios
para fazer a previsão do tempo. A sabedoria é construída ao longo do
tempo, através de heranças, experiências adquiridas e observações da vida
cotidiana. Se os cientistas fazem cálculos, medem e comparam parâmetros
meteorológicos, o agricultor observa o céu, as nuvens, as estrelas e o
comportamento dos animais. Ele examina o cheiro do ar e observa a
vegetação e os insetos para fazer suas projeções climatológicas.
Com base na leitura da natureza e uso dos métodos de simpatias, o
sertanejo faz suas previsões para o plantio e a colheita. Plantando nas
águas de março, ele sabe que deverá colher em junho. Sobretudo se
acompanhados de resas, n ovenas e cântigos religiosos.
O mês de junho é também dedicado a outros santos importantes para a
colheita: Santo Antônio, São João e São Pedro. Todos estão, de alguma
forma, ligados à fertilidade. O primeiro é o santo casamenteiro, o
segundo, da colheita de junho, e o terceiro, das águas.
As festas juninas são rituais comemorativos das colheitas e, portanto, da
prosperidade sertaneja. A relação entre santos, águas e frutos faz parte
do processo histórico do catolicismo, através de práticas individuais e
coletivas de devoção aos padroeiros.
Previsões são de bom inverno para o nordestino
São José é um dos santos mais festejados pela igreja católica. Filho de
Jacó, e pai terreno de Jesus Cristo, segundo as escrituras cristãs, era um
carpinteiro descendente da família do real de Davi. Morador da comunidade
de Nazaré, no território da Galiléia, ele nasceu em Belém, no território
da Judéia, a terra de Jesus Cristo. José foi escolhido por Ana, mãe de
Maria, para desposá-la. Maria foi escolhida por Deus para gerar seu Filho
Jesus, anunciado pelo Anjo Gabriel.
São José é reverenciado como protetor e padroeiro da família, por ter sido
ele, quem cuidou de Maria e Jesus para que eles não caíssem nas garras do
rei Herodes. Temendo que o messias anunciado fosse uma ameaça ao seu
trono, o rei ordenou que todas as crianças com até dois anos de idade
fossem decapitadas.
O sertanejo acredita que se não chover até o dia de São José, não haverá
inverno. Com base na leitura da natureza, como a cor das folhas das
plantas, o brotar das flores nascer frutos antecipadamente, o canto dos
pássaros, etc., os sábios do sertão prevêem bom inverno na Região do
Semi-árido. Se é um ano bom para o sertanejo, é também para o turismo e o
turista. Xô vida seca! |